segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tão perto. Tão longe

Estive em Morretes hoje, fazia um bom tempo que eu não visitava a minha terrinha tão amada. Não nasci lá, mas adotei aquela cidade como se ela fosse minha. Tava precisando dar uma desconectada de Curitiba, da rotina dos ônibus, gente feia, fedida, de péssimo humor, malas da faculdade. Estava uma garoa daquelas de enganar bobo lá em Morretes, mas eu levei meu guarda-chuva e pude passear tranquilamente junto com os outros curitibanos branquelos, turistas e gringos que por lá passeavam. Na volta pra casa, ainda em Morretes, uma FM qualquer tocou "Even Flow", e aí parece que minha ficha caiu levemente. A possibilidade de o Pearl Jam estar aqui na minha cidade é uma situação muito grandona pra mim. Senti um aperto no coração. E se eles não vierem, e se der tudo errado?

Eu penso que é só uma banda, eu penso que há 9 anos eu não tenho mais 16 anos, que foi a idade com que conheci o som da banda, eu penso que, talvez eles já não tenham tanta presença na minha vida como é o som do Afghan Whigs, do Twilight Singers, dos projetos que o Greg Dulli [meu ídolo favorito nos últimos 3 anos] têm mais a ver com a minha vida de agora, do que o Pearl Jam. E ainda tem os jazzinhos, Louis Armstrong, Thelonious Monk, Frank Sinatra, Miles Davis, John Coltrane, as coisas que aprendi a gostar nesse último ano. Eu tento pensar que não vai fazer diferença pra mim não ver o Pearl Jam porque eu já esperei tanto tempo [tem gente esperando há bem mais tempo do que eu, já que eu só conheci a banda na época do No Code, se é que 9 anos da vida de alguém seja pouco, eu penso que é muito, ainda mais para alguém de 25 anos!], mas não gosto de comparações, tanto em tempo de espera, quanto o amor pela banda, porque o que cada um sente é pessoal, instransferível, não tem medida.

Acho que me conformar com a não-vinda da banda é uma maneira de defesa, de não em magoar, de não ficar triste, porque eu não tenho dinheiro pra assistí-los num outro país. Não quero entrar no mérito e jogar a culpa na produção cultural da cidade, nos putos que moram em volta da Pedreira. Não. Porque dessa vez a culpa não é de Curitiba, dos curitibanos, dos caras que moram em volta da Pedreira. De quem é a culpa? Da festa da Rádio Mix? Do Serra? Não sei.Não quero saber. Só quero saber de PEARL JAM EM CURITIBA!Hoje eu percebi que se esse show não rolar, eu não vou enfrentar com a minha indiferença tradicional. Eu devo esse show praquela menina de 16 anos que um dia eu fui. Pra pessoa que hoje sou.




Escrito por Dani em 09/10/2005




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